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Marcelo C. Barbão
Julho de 2001
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Os conceitos da vida e do mundo que chamamos "filosóficos"
são produto de dois fatores: um, constituído de fatores religiosos e
éticos herdados; o outro, pela espécie de investigação que pode-
mos denominar "científica", empregando a palavra em seu sentido
mais amplo. Os filósofos, individualmente, têm diferido amplamente
quanto às proporções em que esses dois fatores entraram em seu
sistema, mas é a presença de ambos que, em certo grau, caracteri-
za a filosofia.
"Filosofia" é uma palavra que tem sido empregada de várias
maneiras, umas mais amplas, outras mais restritas. Pretendo
empregá-la em seu sentido mais amplo, como procurarei explicar
adiante. A filosofia, conforme entendo a palavra, é algo intermedi-
ário entre a teologia e a ciência. Como a teologia, consiste de es-
peculações sobre assuntos a que o conhecimento exato não conse-
guiu até agora chegar, mas, como ciência, apela mais à razão hu-
mana do que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revela-
ção. Todo conhecimento definido - eu o afirmaria - pertence à ciên-
cia; e todo dogma quanto ao que ultrapassa o conhecimento defini-
do, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma
Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa
Terra de Ninguém é a filosofia. Quase todas as questões do máxi-
mo interesse para os espíritos especulativos são de tal índole que a
ciência não as pode responder, e as respostas confiantes dos teólo-
gos já não nos parecem tão o o eram nos séculos
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passados. Acha-se o mundo dividido em espírito e matéria? E, su-
pondo-se que assim seja, que é espírito e que é matéria? Acha-se o
espírito sujeito à matéria, ou é ele dotado de forças independentes?
Possui o universo alguma unidade ou propósito? Está ele evoluin-
do rumo a alguma finalidade? Existem realmen